quinta-feira, 9 de junho de 2011


Esboço de saudade

O que sinto?
O que sinto não sei!
Sei que o medo ficou paralizado
Quando lhe revelaram sua inutilidade...
O ódio, odiou ter de ser vivido entre instantes
E a paz, essa se perdeu a muito, muito tempo atraz!

O que sinto?
Talvez uma paralisia pela falta de confiança
Talvez o que sinto seja inutil!
Ou ainda, o que sinto seja passageiro diante...
...do tempo!
Talvez deseje estar perdido...

Do amor não se sabe!
Sentí-o n’outra vez e depois,deixou-me...
Com um espaço desoculpado, e uma tal solidão.
Esta porém me acompanhou
E me fez de um ser só muitos outros seres,
Um triste, um ausente e um distante.
Que busca alegria
E está cheio de saudade...
Que não sabe nem de quê...
Só sabe que sente
O que não sabe porque...

Marcos Martins Lisboa

quarta-feira, 8 de junho de 2011

     "Passa uma borboleta por diante de mim 
     E pela primeira vez no Universo eu reparo 
     Que as borboletas não têm cor nem movimento, 
     Assim como as flores não têm perfume nem cor. 
     A cor é que tem cor nas asas da borboleta, 
     No movimento da borboleta o movimento é que se move, 
     O perfume é que tem perfume no perfume da flor. 
     A borboleta é apenas borboleta 
     E a flor é apenas flor."

Alberto Caeiro




Neste texto a beleza das coisas aparece apenas como algo superficial, assim como a vida em determinados momentos.
Talvez seja hora de parar para pensar no quanto a nossa vida é supérflua e começar a dar as devidas cores para ela, não as cores que aparentam ter, mas a cor que queremos que ela tenha.